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Capoeira Africana?

Há um tempo atrás estava assistindo ao programa do Silvio Santos “Show do Milhão”, quando uma pergunta me chamou a atenção. E a resposta então, me gelou até a alma. “Não pode ser” – pensei comigo. A pergunta era exatamente sobre a origem da capoeira. A resposta? Não me lembro das alternativas, mas a participante respondeu prontamente:
- Africana.
Agora adivinhem vocês o que o computador concluiu?
- Certa resposta.

Sim. Em rede nacional e em horário nobre estava decidido que a capoeira não era brasileira. Nem ao menos afro-brasileira. Estava decidido que a capoeira era africana. Além de indignado fiquei também muito triste ao refletir que a participante não seria a única a pensar da mesma forma. Já não basta o que estão levando da gente? Nossas matérias-primas, riquezas naturais, a Amazônia. E agora querem vender nossa cultura também? Ainda mais a Capoeira que tanto sofreu e lutou para não acabar?

Suponhamos que a pergunta passou por uma análise dos produtores do programa e antes dos produtores alguém elaborou a pergunta. Mas baseada em que? Na antiga e preconceituosa tradição do Brasil pós-colônia de que capoeira é coisa de negro? E os negros são descendentes de africanos que trouxeram a capoeira prontinha e repassaram para seus descendentes até os dias de hoje? “Não, não pode ser” – pensei. Como puderam cometer tal sacrilégio cultural. Bom, não é meu intuito criticar o programa e nem muito menos a participante, mas alertar a todos para o descaso do sistema com que são vistas toda e qualquer manifestação cultural no Brasil, salvo o carnaval e o futebol que trazem altos lucros para eles e por isso são tão cultuados. Alguém já viu, por exemplo, alguma menção sobre a capoeira nos livros de história do Brasil? Alguém aprendeu na escola que a capoeira contribuiu e muito na construção da história do país, principalmente nos estados da Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro? Não seria importante ensinar que durante a guerra do Paraguai, capoeiristas foram recrutados para servir como voluntários da pátria, aonde lutaram com bravura e foram considerados de vital importância? Que tal dizer que jogados á miséria, sem emprego e tendo que sobreviver, os capoeiras aterrorizaram os principais centros urbanos do Rio de Janeiro a ponto de em 11 de outubro de 1890, Marechal Deodoro da Fonseca, emitir o decreto 487, sobre os “Vadios e Capoeiras”, dizendo que todo o capoeira pego em flagrante seria desterrado para a Ilha de Fernando de Noronha por um período de seis meses, sem contar as chibatadas e prisões, somente sendo legalizada e reconhecida como prática esportiva em 1930 pelo então presidente Getúlio Vargas?
Poderia continuar citando aqui uma infinidade de acontecimentos relevantes sobre o assunto, mas ai o post se tornaria uma narração sobre a história da capoeira. O que pretendo escrever em outro post assim que concluir uma série de pesquisas.

Para terminar gostaria de afirmar que a Capoeira NÃO É africana. Foi criada no Brasil por descendentes de escravos que aqui nasceram e que portanto, eram brasileiros mas com fortes costumes africanos ainda preservados, o que nos leva a concluir que a capoeira é afro-brasileira. Só existe Capoeira na África porque mestres brasileiros levaram a nossa arte pra la, assim como fizeram em grande parte do mundo, pois vemos que há academias de capoeira em vários países afora.
Deixo aqui o meu apelo para que nossas autoridades atentem para o instrumento importantíssimo que é a Capoeira no que diz respeito à educação. O que antes era uma forma de se libertar da opressão da escravidão, hoje ela liberta jovens das drogas e das ruas. Forma profissionais, professores e educadores que sabem respeitar e são respeitados. A Capoeira promove a cultura e a união entre as pessoas, e não enxerga distinção. Beneficia o corpo e a alma. Capoeira é arte, cultura, música, dança, folclore, é saúde. Capoeira é defesa, ataque, ginga de corpo é malandragem. Enfim nos dizeres do grande Mestre Pastinha: “Capoeira é tudo o que a boca come.”

Axé.

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